Oferendas para Iemanjá

Como ter sucesso na hora de ofertar


Iemanjá, a rainha do mar, cujo seu ponto de força é a praia, sua casa, algumas pessoas dizem que Iemanjá é o próprio mar. Sabendo disso, todo o povo do Axé comemora o dia dessa Iabá nas praias, fazendo diversas oferendas na beira do mar.
Os antigos dizem que ela adora coisas de mulher, perfume, sabonete, pente, flores, alguns até dizem que é bom levar comida para ela, como frutas e peixes. Por ser a protetora dos navegantes, as oferendas dela são colocadas em barcos, sejam eles de madeira ou de isopor.

Porém, vamos pensar no fundamento de cada elemento que ofertamos para a Iabá do mar?
As ervas, frutas e bebidas têm fundamento na energia vegetal e mineral. O peixe, falaremos no final do texto, já o barquinho, dependendo do material que é feito, não tem energia nenhuma, nesse caso usam apenas o barco como transporte e SIMBOLISMO dos navegantes.
Mas e o resto? O pente, o sabonete, o espelho, o perfume, as garrafas de vidro e o material de isopor, não têm energia nenhuma, sendo assim, fundamento zero, sem falar dos riscos a vida que esses materiais fazem.

Ah mas ainda quero usar esses elementos.
Bom, vamos pensar em Iemanjá como mulher e mãe, pois ela também é conhecida por ser a grande mãe.
Se esses elementos não têm fundamento, o que eles vão ser para a Iabá? LIXO e perigo para seus filhos. Que mulher gosta de sujeira? Nenhuma. Que mãe gosta de ver seus filhos mortos ou expostos ao perigo? Nenhuma. Mas como que esses elementos causam tudo isso? Fácil, se você não usa uma coisa, se não tem energia nenhuma e é algo que não pertence ao seu ambiente, o que ele vai ser para você? Lixo, algo descartável. No caso do pente de plástico, do espelho que pode cortar, do sabonete que tem substâncias químicas, do isopor que demora pra se decompor e é considerado plástico, dos vidros que podem furar alguém. Tudo isso trazem grandes riscos para a vida marinha que em alguns casos confundem esses materiais com comida. E se tiver algum filho de santo que não se importa com essa vida, peça maleme pro povo do mar, pois são extremamente importantes para o planeta (e para iemanjá *risos).

Ainda não entendeu?
Pense, você foi operado por um médico, quer agradecer ele, então você leva um monte de coisa que ele não vai usar e deixa tudo na porta da casa, ele vai gostar? Não, aquilo vai ser o que? Lixo. Como você pode demonstrar sua gratidão? Entregando algo que ele goste e principalmente USE (nesse caso do médico, dinheiro *risos)

Então como montarei uma oferenda bonita, funcional e que não cause perigo?
Simples, ao invés de barquinho e todos esses elementos sem energia e fundamento (que só tem simbolismo) leve você suas flores e frutas, não jogue a garrafa no mar (apenas o liquido que há nela, seja champanhe ou alfazema). Uma dica pra quem quer levar frutas grandes: Cortem em pedaços pequenos Ah mas é muita coisa para levar na mão, também quero homenagear os marinheiros. Okay, se você necessita de um barco, opte por um natural, jamais pelo isopor, pois dependendo do material, ele também tem energia (diferente do isopor).
Como Iemanjá saberá meus pedidos? Mentalize ao jogar as oferendas ou cante um ponto, na Umbanda a canção é oração. E cá entre nós, que mulher não curte uma serenata? Ainda mais se vem de seus filhos.

Agora sobre os peixes e seu fundamento.
A pessoa que quer ofertar um peixe, ela teria de tirar ele do seu ambiente natural, conseqüentemente matá-lo e cozinhar/fritar, para depois entregá-lo de volta ao mar. Até ai tudo bem, o fundamento do peixe está exatamente nisso, devolver para Iemanjá aquilo que tiraram (a própria força do local, assim como as frutas e Oxossi), ou então, como algumas casas fazem, ofertam o peixe como uma mera representação do mar (usam ele como elemento do campo energético da rainha do mar). Porém, é importante termos cautela com esse tipo de oferenda, pensar se realmente é necessário de acordo com as nossas necessidades, tomar cuidado com os excessos e ter bom senso. Mas pra quê essa cautela? Pense, se TODOS os filhos de santo resolver levar peixe, como que vai ficar as praias nos finais de trabalho? Okay tem aquele que limpa, as aves do ambiente comem, mas vocês realmente acham que algumas pessoas dão conta de limpar tudo isso? Acha que as aves vão conseguir comer todos os peixes na beira do mar? Como que vai ficar o cheiro naquele ambiente? E os outros irmãos de fé que vão correr gira no dia seguinte? Ou algumas horas depois da sua? Ahhh mas não é todo mundo que oferta peixe, okay, mas se todo mundo pensar assim, uma hora ou outra, TODO mundo vai ofertar peixe, o bom senso está exatamente nesse ponto. Mas se mesmo assim quiser levar o peixe, okay, mas não reclame (se for o caso) da “sujeira” de outros irmãos também.

Sobre imagens, quer despachar elas?
Lave com sal grosso (ou água do mar) e jogue no lixo, nos tempos de hoje não podemos fazer como os ANTIGOS faziam, que é jogar no mar e na cachoeira, infelizmente o planeta já sofre com a poluição do dia-a-dia.

Ou seja, na hora de fazer a sua oferenda, analise tudo o que você quer e precisa, se for necessário e possível, peça ajuda aos dirigentes de sua casa. Agora se você sabe cada função de cada elemento, monte de acordo com a sua necessidade, seguindo todo um fundamento e prejudicando menos o ambiente que você está.

Caso uma entidade tenha pedido para você fazer as oferendas comuns como barco de isopor, espelhos e por ai vai, surpreenda a espiritualidade e o médium na qual a entidade trabalha junto, faça uma oferenda que de fato agrade Iemanjá, que é uma que agride menos o seu lar. Até porque, o que o Orixá realmente gosta, é o amor e respeito que temos por ele. E caso você não consiga fazer sua oferenda material, lembre-se que essa energia divina se contenta com a sua fé. Ore, cante, bata palmas, dance, faça o que vier do seu coração.

E lembre-se, na Tenda de Umbanda Zé baiano e Antônio baiano, o plástico retém energia. Axé.

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